
num minuto...
refaço no papel os traços
acerto no caminho os passos
no chão negro do asfalto
levando comigo a poesia.
num minuto...
desvencilho-me dos laços
afasto dos meus, teus braços
a morte, eu não satisfaço
em prol da minha alegria.
num minuto...
desfruto entre os olhares
o poder absoluto da graça
rir da minha própria desgraça
ou da minha parca soberania.
num minuto...
penso ser samba, e sou
nem por isso; metido a bamba
nem ser corda ou caçamba
não sou uma letra de canção.
num minuto...
versejo com sutileza
noutro, até com brabeza
mas sem matar a beleza
do poema que se enseja.
num minuto
resoluto,
em defesa da poesia
desesperadamente luto
neste tempo inexorável
fatal, total e absoluto.
chega de versos injustiçados
jogados dentro de fundos falsos
reluto; vejo, falo não me escuto
penso livrá-los do cadafalso.
em apenas...
estes poucos minutos.
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