AMIGOS QUE ME SEGUEM

EU O MUNDO, O MUNDO E EU

11 de novembro de 2009

GOSTO DO GOSTO DA SAUDADE

in voz: José Silveira
http://www.clesioboeira.com/meump3/CDST-gosto%20do%20gosto%20da%20saudade.mp3




Tempos de menino.


Desconhecia as diferenças,

dos perigos espreitados da vida.

Mas talvez não as demências,

das ralhas dos velhos da família

Se é que velhos seriam!

Pois hoje sei o que é ser;

avô, avó, tio e tia.


Mãe e pai.


Piamente acreditava,

[ainda acredito]

Que nunca envelheceriam.

Para sempre; santas e heróis

Sendo assim; velhos jamais.


Mais os farrapos do baú

ficaram a mostra.

Não senti,

mas o tempo havia passado.

Moveu a roda da mó,

e o riacho o moinho,

que movia o monjolo

dia e noite, noite e dia.

para pilar o café

fazendo canjica quebrada

'pros passarinhos bicar'.


Ah! cheiro bom...

Perfumando a pradaria.


Passa aqui,

um filme na minha cabeça.


O carro de boi na estrada,

rangendo a roda ao vento.

Um canto, mais um lamento

ecoando na minha terra,

chão pisado de boiada,

barro ocre lamacento.


Liga não, dessa voz embargada.

É que a noite vem calada


e de chorar, dá vontade.


gosto do gosto da saudade,

do brilho nos olhos que isso traz.

Gosto do alumiar dos pirilampos

nos campos férteis da memória.

gosto de gostar disso,

de ser velho,

de tomar essa atitude,

dar adeus a juventude...

E ficar pra outra história.

8 de novembro de 2009

ENFIM, AMANHECEU

in voz; José Silveira
http://www.clesioboeira.com/meump3/CDST-enfim,%20amanheceu.mp3




É de manhã.


Respiro fundo.

Abro a janela

sorrateiramente.

Aproveito e;

revivo

meus pensamentos.

Os obscuros.

Tento

apagá-los.

Se,

da vida.

Se,

da morte.

Se,

do sonho,

Se,

da realidade.

Não importa.

Conseguirei.

Não

lembrarei mais.

Mas arrepio-me

do voltar

da noite.

Quando eu...

Percorro

o imenso

retângulo.

A cama.

E faço do

travesseiro

meu

confessor.

E choro

de amor.

ADÔNIS



in voz; José Silveira
http://www.clesioboeira.com/meump3/CDST-adonis.mp3

Acorda.

Da janela,

bela manhã.

Sol brilhante,

moldura celeste.

Levanta-se.

Barbeia-se.

Perfuma-se.

Veste-se

do seu melhor;

de azul.

Pés nus.

À mesa,

a garrafa.

Do gargalo,

o primeiro trago.

Bela manhã!

Apossa-se da pena.

Sorri.

Do cabeçalho,

em caixa alta,

segue escrevendo.

Voando errante,

além da imaginação.

O poeta elegante.

7 de novembro de 2009

TORTURADO




in voz; José Silveira 
http://www.clesioboeira.com/meump3/CDST-torturado.mp3
 
Eu,

Não sei mais quem sou.

Tenho mãos a ferro.

E entre ferros,

Pouso o meu rosto.

Covardemente imolado,

Transfigurado,

Amargurado.

Dor.

Não me incomoda mais,

É o menor dos sofrimentos.

Entrelinhas,

Esperança.

Ou melhor.

Não querer,

Esperança.

Talvez.

Nada querer,

Nem esperança.

Assim.

Fico livre de desejos.

Fico eu.

6 de novembro de 2009

POR ISSO...


in voz; José Silveira
http://www.clesioboeira.com/meump3/CDST-por-isso.mp3

Minha casa é de samba
e o terreiro é de festas
um lugar de alegria
isso é bom e bem normal
o cardápio é o de sempre
e bastante trivial
todo mundo come e bebe
e ninguém sai falando mal.

Cachaça, cerveja e bela poesia
me aquece o coração
depois tem amor, cafuné e chamego
e um tira gosto
que afasta o tal do desgosto
e libera a emoção.

Mas, eu não posso esquecer
para o samba não morrer
tenho que estar sempre aqui
pra bater o meu pandeiro
e tocar o meu tan tan
e o meu cavaco maneiro
eu vou até de manhã.

Menina, me embalo nos teus braços
no meu violão com seus traços
São vocês dois, minhas sinas.

Por isso...
eu não deixo a boemia...

‘vadeio’ na esquina,
que nem Clementina.
tirando uma onda,
de mestre Cartola.
e de Paulinho da Viola,
sou sambista.

Se; tu quiser ‘curtir’ meu samba
Chegue pra roda de bamba
Lá no fundo do quintal.

3 de setembro de 2009

O ARTÍFICE


Basta um breve e ávido olhar
em velhas e carcomidas cascas,
toscas lascas de madeira oca,
desprezadas pela mãe natureza,
atento; num salto as arrebata.

Mestre Dico, o artífice,
é o que é. pelo que faz:
Corta, raspa,talha e pinta,
pari sem dor sem gemido
mais uma peça de arte,
com tino de cirurgião.

Nas obras, projeta seus sonhos,
ilusões, poesias, pesadelos
vômitos e clamores sociais;
amores, flores, e demônios,
que surgem em tons vigorosos;
ora côncavos, ora convexos,
no contexto ou reverso,
e sem avexo. É surreal.

Com pinceladas de cores,
colori elevando a sua arte,
adereços ‘sui generis, décor’,
saem das mãos desse artista,
magicamente aperfeiçoadas,
talvez lapidadas por deuses.

(outras cascas, obras do Dico Athayde)
http://www.athaydeemcasca.blogspot.com/

27 de agosto de 2009

DELÍRIUS TREMULUS


O vento gelado
varria os grãos finos de areia.
Voavam em véus e se amontoavam,
soterrando o parco verde inativo,
ofuscando a visão.

O poeta estava lá, imóvel
aos pés das brancas dunas,
observando o vôo dos albatrozes.
Na boca; um gosto de maresia,
vindo da crespa maré da laguna.

Apenas um olhar desconfortável,
de um bêbado ao relento,
sem conseguir descongelar
a tristeza residente no coração.

Uma bela alma;
mas desgraçada,
sem recuperação,
tremulando fria ao sabor,
qual bandeira ao vento.

Alma... De nota perdida, final...
Fazia tempo que ela não mais
habitava aquele corpo,
ser de sol e sal.
Frio desafiante
do fio da navalha cortante,
inquietante sentir, calafrio,
lume morto, incessante mal.

O álcool ingerido
cortou o frio da boca,
fingiu agasalhar o corpo...
Ou o que restou dele;
um receptáculo inútil,
vazio de bem, e de mal.
O vento gelado;
e o vôo dos albatrozes
foi só um pretexto.

7 de agosto de 2009

ESPAÇO VAZIO, TU...



Senti, no seu ir quase abrupto,
o tanto que levaste de um sonho;
de palavras quase poemas,
de sorrisos quase canções,
de um mar quase oceano.

E no úmido das tuas lágrimas
que ainda estão no chão, elas,
cravadas ficaram entre as pedras,
e nas marcas dos passos teus.
A rudeza das visíveis sequelas.

Silêncio imposto, sua voz inerte,
embargada, reprimida, a sós.
Inaudível, o lamento à distância,
fazendo insípido este momento
da grande falta que sinto de vós.

Mas teu olhar é presença, é semente,
paira no ar, a candura do teu rosto,
que sustenta essa minha poesia
amenizando esse incessante canto,
desgosto que sinto; na falta que tu me faz.

Inconformado; sou desta sina,
Da momentânea clausura, casulo.
A qual tu humildemente se inclinou,
nas metamorfoses, e nas vias da vida.
Que somente as belas borboletas têm.

15 de julho de 2009

O IPÊ BRANCO QUE PLANTEI, FLORIU

Na esperança de um sonho,
de te reencontrar,
perturbadoramente,
lutei um sono arrastado
pela madrugada...

Quando quase vencido,
o teu rosto me veio
brilhando nas minhas retinas;
maneiro, repentino.
E ainda tão lindo.

Despertei,
para resgatar a lembrança
perdida de você,
meu bem querer,
paixão despida.

Fonte onde eu bebi
sofregamente
o que me oferecias
da tua pequena boca,
feita para o beijo, macio,
e com gosto de poesia.
Depois sozinho no meu canto,
o sorriso, a alegria,
a sensação de embocado
um fino cristal de taça
que abraça o vinho.

Tinto;
que aquecia o meu corpo,
para atrair o teu; pequeno,
tenro, doce, alvo e fresco
de mulherzinha... atriz,
e vulgar na cama.
Como sempre te quis,
e a desejava.
Ah! Que deliciosas ânsias,
e como te amava
nos banquetes de delícias
que me oferecias!

Mas houve o dia,
quando o meu olhar
levou comigo
o teu olhar,
e o meu corpo
partiu impregnado do teu cheiro,
do perfume de cio
sentido pela última vez
sob os lençóis de percal estampado.
No portão, implorando,
as mãos deslizaram lentamente
até o toque final dos dedos.
Perdurável?!
Ficou o aceno e o sonho.

Parece que foi ontem
que plantei o ipê branco
em frente a sua janela.
Pelo tempo dos meus cabelos grisalhos,
deve ter crescido,
frondoso, e florindo,
se vestindo de alvura, paz,
a que precisei ao te deixar.

Lembras?!
De manhã reclamavas do sol.
Ele já deve sombrear o seu quarto.
Agora...
Nem eu nem o sol,
tocamos mais a tua pele quando acordas.

Adeus...
Dormirei com o poema que um dia foi,
na vida, e no sonho que eu li.
Sim, li.

18 de junho de 2009

A ÉTICA DOS CANALHAS

Se, se deixares dominar
por essa insana e atormentada verve,
apenas para o brilho do pedestal
do seu tutor; cairás no ridículo.

Se tu se perder numa visão una,
no afã do esplendor da ribalta
que teima ficar na penumbra.
Desista...
Não haverá u’a mão no interruptor.

Afogar-se-á no próprio limo,
Desnortear-se-á no próprio limbo.
Mas sobreviverás...
junto à claque dolente.

Mas não me condene.
Não sou quem não quer o olhar,
nas atitudes mais humanas.
Reconheça-se, e renasça.

Se da infâmia
dá-se a útil convivência,
e se as escoras lhe aprazem,
e se atrais as muletas, e se atrelam a ti,
e não rejeitas;
Reveja-se...
Pois se não o escoram,
escoram-se em ti.

Aplaudem-no
enquanto
arauto servil.
Sugarão à tua sombra,
enquanto
houver insensatez,
enquanto
persistires na inércia,
enquanto
esqueceres das virtudes,
enquanto
afastares da razão.

Oh! Corja que se ufanam de inconsequentes ritos.
Oh! Amontoado de sanguessugas, de sede irrestrita.
Oh! Escória de maus que não atendem aos gritos.
Oh! Cruéis de injustos atos sob o escudo da escrita.

Maldita ética dos canalhas sobreviventes.

Oh! Malditos,
ainda individualizam-se,
vestem-se da própria pele
para reconhecerem-se.
Bastam-se, de si; bastam-se,
para alumiarem a tosca mente,
envelhecida, carcomida,
enroscada em sorrisos frouxos,
refrescando o fígado
como os fantasmas
ressuscitados
da velha escrita.

Oh! Seres.
Oh! Pobres Seres
mergulhados no barro
ressequido das velhas palavras.
Delas não se desvencilham,
arrastam-nas em versos
pré e pós aversivos
as inovações.

Lhes são demais as alvoradas.

Sabemos o que escrevem...
É cicuta.
Envenena, e envenenam-se,
não é mais paixão a poesia,
nem mais a ânsia do poema habita.

É maldade gratuita,
e que grotescamente
sob a égide da escrita,
abraçam a palavra, usam-na, e;
em gotas insistentes,
destilam abioto em doses
diárias e permanentes.

Oh! Pobres poetas e suas sutis brutalidades.
‘As palavras não morrem sorrindo’
Dementes!

P R Ê M I O D A R D O S

P R Ê M I O     D A R D O S
Agradeço esta distinção significativamente importante. Pelo prêmio em si, incentivador, assim como; pelo grande prazer de eu ter sido indicado a recebê-lo por iniciativa da poetisa Helen De Rose, que vê no meu trabalho, a possibilidade das minhas modestas contribuições crescerem em prol da escrita, pelos contos, prosas e poesias.

EDIÇÕES, PREMIAÇÕES

'ANTOLOGIA' - "TRAGO-TE UM SONHO NAS MÃOS"

Poesia infantil: Plum, Ploc, Trec, Blem... Viva!

Poesia infantil: Fadas meninas

Poesia infantil: O nariz do pirilampo

Temas Originais Editora - Coimbra, Portugal, 2010



ANTOLOGIA DOS 7 PECADOS

Sobre a 'GULA' : Beijo, Goiabada e queijo

ESAG - Edição BlogToh - Barcelos - Portugal, 2010




ANTOLOGIA DE POETAS BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS - 49° Volume

Poesia: Faço poesia porque eu não posso dizer que te amo

http://www.camarabrasileira.com.pc49.htm/ - Rio de Janeiro - RJ



ANTOLOGIA DE POETAS BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS – 46° Volume

Poesia: “Tango a La Rubra Rose” - 2008

www.camarabrasileira.com/pc46.htm - Rio de Janeiro - RJ



ANTOLOGIA DE POEMAS DEDICADOS Edição - 2008

Poesia: “Escrita vazia” - 2008
www.camarabrasileira.com/poemasdedicados2008.htm - Rio de Janeiro - RJ



ANTOLOGIA DE CONTOS FANTÁSTICOS -14° Volume Conto: “O mar está pra peixe, feliz Ano Novo” - 2008

www.camarabrasileira.com/contosfantasticos14.htm - Rio de Janeiro - RJ



ANTOLOGIA POÉTICA, POESIA DA METRÓPOLE

Poesia: "Comparação" - 1991


Litteris Editora - Rio de Janeiro - RJ



DECLARAÇÃO DE AMOR

'Prefácio' , 2010

Câmara Brasileira e Jovens Editores - Rio de Janeiro - RJ



EPISÓDIOS GEOMÉTRICOS (O Livro das Crônicas)

'Posfácio' , 2011

Temas Originais Editora - Coimbra - Portugal



I ENCONTRO DE ESCRITORES - ANDEF
'Palestrante', 2010
Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos

ENTREVISTAS - MENÇÃO QUALIDADE PROSA FEVEREIRO 2009

Site de Poesia

Luso-Poemas - Poemas de amor, cartas e pensamentos

Site de Poesia

Buffering...