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EU O MUNDO, O MUNDO E EU

30 de abril de 2008

PAGÚ... A MUSA EX-INTERIORANA

Dizer que a obra dela é apócrifa,
Certamente, quem disser um louco é,
Coragem em um ser, maior não havia,
Ainda mais, no corpo tenro de uma mulher.

Musa brasileira, escandalosa e libertária,
Fenômeno, livre, sem atavismos, e independente,
A história está aí, e bem escrita,
Dos seus feitos, em variadas vertentes.

Uma modernista pro seu tempo,
Cuja voz doce ecoou forte, na rua,
Despojada, vestindo-se quase que nua,
Outros fatos a fez romper com a família.

Pós-menina e já era de vanguarda,
Pagú, pintou, fumou e abusou da lua,
Nada tinha de mulher interiorana,
Seus manifestos tinha-os sob sua guarda.

Por amor casou-se, e de igual amor gerou,
Pariu primeiro Rudá, qual o mito “o deus do amor”,
O mesmo amor com que o amou, ela amava,
A própria vida, e a liberdade do seu povo.

Engajou-se ao movimento antropofágico, pra comer,
“no caráter metafórico da palavra”, não gente,
De não negar, mas não imitar culturas externas,
Dos ameríndios, euros e dos afros descendentes.

Mas, seu “Modus vivendi” incomodava,
Muito mais suas palavras às estruturas,
Sua escrita criticou todo o seu tempo,
Consuetudinário, de prisões e de torturas.

Aos cinqüenta e dois ano ela partiu,
Para viajem definitiva e derradeira
Ficou o mito, nunca será esquecida,
Pagú, a grande musa brasileira.

HISTÓRIA NA SALA DE AULA




Assim como tu és hoje,
Fui uma criança fogosa,
Envolvi-me em travessuras,
Sadias e belicosas.

Sim, fui criança também!
Tantas coisas divertidas,
Que eu puxo da lembrança,
Com gargalhadas gostosas.

Tempo, eu tive para tudo,
Mais recebendo que dando,
Amor, ensinamento e estudo.
Nada, demais e de absurdo.

Quanto tempo!
Não me lembro,
É a mágica da vida,
Não o senti passar.

Ah! Saudades daquele tempo,
Dá um prazer e bem estar,
Ser criança é muita coisa,
Pena o tempo não voltar.

Agora, ouçam bem crianças!

Os anos vão se passar,
Quase que, devagarzinho,
Mas com um piscar de olhos,
Atônitos vão concordar.

E quando isso acontecer,
Toda razão vão me dar,
Até lá, todos serão adultos,
Verão, quão gostoso é lembrar.

Então, guardem na canastra,
Essa estória pra crianças,
Pois a história de vocês,
Serão vocês a me contar.

28 de abril de 2008

DÚVIDAS DO AMOR

Até de longe és a luz que me ilumina,
E que ascende com fulgor todos meus dias,
De tuas mãos, veio a cura das minhas chagas.

Isso é amor?
Isso é amor?
Eu não sabia!

Sempre que choras, e sofre com minhas dúvidas,
E se perturba com as mentiras que lhe digo,
Assim mesmo, tu me queres, e eu lhe pergunto;

Isso é amor?
Isso é amor?
Só tu sabias!

Às vezes eu penso, de não ser, merecedor,
Então me provas ter por mim todo apreço,
Entrega-se a mim, faz do teu colo o meu berço.

Isso é amor?
Se é amor,
Não conhecia!

Olho-me no espelho, não me vejo, ou não sou eu,
O causador de tanto mal, que eu nem sentia,
Eu não consigo distinguir tal sentimento.

Isso é amor?
Se for amor!
Talvez um dia!

E por você, não me entender, me ama e odeia,
Faz-me culpado, com uma pena a cumprir,
Fui julgado, de insensível, mau e estúpido.

Foi por amor!
Isso é amor, amor?
Eu merecia?

27 de abril de 2008

NEM LINHO, NEM VINHO


Escondes o teu olhar doente, depressivo,
Debaixo desses seus lençóis de linho,
Expõe sua solidão sob esses panos,
Engana-te a ti mesmo, com muito vinho.

Quem você pensa poder enganar,
Se aos olhos de mim a verdade é vista,
Abraças sozinho todo um sofrimento,
Teu semblante encobre essa dor maldita.

Procuras qual um cego a saída, a porta,
Sente-se desenganado, só, em recaída,
Achas a situação uma esperança morta,
Sentes a falta de alguém, que lhe dê guarida.

Tens discernimento, a vida, e tudo que reluz,
Lânguido, mas podes refazer sua estrutura,
Queres a cura definitiva dessa ferida oculta,
Esqueças tudo que te lembre a ruptura.

25 de abril de 2008

CASA AMARELA


Era
Uma
Bela
Casa
Amarela.

Lá era o abrigo
Dele.
Era lá o refúgio
Dela.

Por fora,
O sol aquecia.

Por dentro,
Eles
Faziam-na fria.

Ela diz;
Que a culpa é dele.
Ele diz;
Que a culpa é dela.

Célere passou o tempo,
E a casa, que era amarela.
Perdeu o vivo da cor,
Por desamor dentro dela.

NÃO DOU A CARA À TAPA


Com as duas faces, afaga,
Encena, empurra, embala,
Sobre a boca, ela fecha e cala,
Joga pedra no sonho, e rala.

Mão que segura e que fala,
E que fundi o ferro em fornalha,
Moldando na forma ou na malha,
A vida ou a morte, que valha.

Mão que empunha o aço e declara,
Que a arma tem fogo e não falha,
É dela que com o dedo na tralha,
Fere, mata, e morre à bala.

Desses crimes, acaba na malha,
A crueza estampada na cara,
E o fim da poesia não se instala,
Que não é fim nem começo é vala.

23 de abril de 2008

PIXINGUINHA



Boêmios,
Mundanos,
Num beco do mundo,
Versavam.

Com o bandolim,
O pandeiro,
E o cavaquinho;
Enquanto o violão dormia.

Surge entre os assobradados,
Prateada, iluminando as ruelas,
Os beirais, os telhados,
E aquela mulher da vida na janela.

Também o seu gato,
O bêbado.
E o músico,
Naquele momento exato.

Pôs a boquilha do sax entre os dentes,
Após um longo gole de aguardente,
Virou a campânula dourada para lua,
E tocou uma canção dolente.

Calando o cavaco,
Silenciando o pandeiro,
Emudecendo o bandolim,
Acordando o violão num sobre-salto.

A puta chorou,
O felino miou,
A lua sorriu,
E o saxofonista se foi,

Deixando no ar sua canção.

[Pixinguinha]

MEU BRASIL, SEMPRE FOI BRASILEIRO




Aos vinte e dois dias de abril,
Do ano de mil e quinhentos,
A bordo de uma das naus.
Alguém gritou “Terra à vista”

Das treze embarcações, uma havia,
Um comando português,
Que demorou dar a ordem,
Aportem neste sitio de vez.

Que é monte,
Ou uma ilha.
Ou terras,
De leste do continente.

Desembarcaram garbosos,
Felizes pelo grande intento,
Pisaram em nosso solo Brasilis.
Com Vivas! Ao descobrimento!

Contudo, surpreenderam-se,
Os nobres aventureiros do Rei
Na carta, descoberto o Brasil,
“Mas nunca os brasileiros”.

Pois estes já estavam aqui
E eram cinco milhões deles
Tupi-guaranis, tapuias,
Aruaques e caraíbas.

Um erro de história mal contada,
Que após essas páginas passadas,
O tempo nos tem feito resgatar,
A verdade, dessa terra saqueada.

Mas orgulhem-se, antepassados.
Seus tesouros ainda estão no chão.
Seus filhos naturais ou miscigenados,
Fazem desse Brasil, forte nação.

22 de abril de 2008

INVISÍVEL JEITO DE SER


Não se importas com as pedras adiante,
Nem tampouco com o destino há pisar,
Ombreias, levando o peso dessa vida,
Segues em frente, invisível sem reprisar.

Do jardim, que não vemos, mas se sente,
Tu és a flor, o perfume e o espinho,
Espalhas teus encantos em mil faces,
Em pedaços de espelhos no caminho.

Mil sois, mil estrelas e mil luas,
Imagens repetidas pelo chão, rindo,
Dos perfumes que nunca embriagarão.

Invisível jeito de ser, vais omitindo,
Nesse jardim que nunca poderá será visto,
As mil faces, mil flores, e mil espinhos.

O CONDESTÁVEL VENERADO.


Do céu, resplandecente visão,
Montado num corcel branco,
Ogum Yara que chegou de aruanda,
Pra salvar os filhos de fé.

Nasceu de uma lenda antiga,
Marte, salvador da donzela,
Filha de um grande rei líbio,
Que, sua maior riqueza era.

A paga por tal façanha,
Quis a conversão do monarca,
E de todos daquela terra,
Que tinham vidas pagãs.

Mas tanta fé e coragem,
Mostrada assim ostensiva,
Chamou logo a atenção,
Dos seus chefes de caserna.

Descoberto, não abjurou sua fé,
Enfrentou heroicamente a tortura,
Até ser esquartejado, e morto,
Nas ruas da antiga Palestina.

É ele, o guarda-costas celeste,
Grande orixá desde então,
Lutando pelos mais fracos,
Provou matando o dragão.

O monstro que representa,
O mal dentro do homem,
Que é combatido por Jorge,
Em toda e qualquer demanda,

No peito, mais que um amuleto,
Guarda-se com emoção,
Como um escudo protetor,
Pra todo mal rastejante.

É Ogum que é louvado!
Em todos os campos de batalha,
O guerreiro imponente,
Cavaleiro da Capadócia.

Ogunhê!

P R Ê M I O D A R D O S

P R Ê M I O     D A R D O S
Agradeço esta distinção significativamente importante. Pelo prêmio em si, incentivador, assim como; pelo grande prazer de eu ter sido indicado a recebê-lo por iniciativa da poetisa Helen De Rose, que vê no meu trabalho, a possibilidade das minhas modestas contribuições crescerem em prol da escrita, pelos contos, prosas e poesias.

EDIÇÕES, PREMIAÇÕES

'ANTOLOGIA' - "TRAGO-TE UM SONHO NAS MÃOS"

Poesia infantil: Plum, Ploc, Trec, Blem... Viva!

Poesia infantil: Fadas meninas

Poesia infantil: O nariz do pirilampo

Temas Originais Editora - Coimbra, Portugal, 2010



ANTOLOGIA DOS 7 PECADOS

Sobre a 'GULA' : Beijo, Goiabada e queijo

ESAG - Edição BlogToh - Barcelos - Portugal, 2010




ANTOLOGIA DE POETAS BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS - 49° Volume

Poesia: Faço poesia porque eu não posso dizer que te amo

http://www.camarabrasileira.com.pc49.htm/ - Rio de Janeiro - RJ



ANTOLOGIA DE POETAS BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS – 46° Volume

Poesia: “Tango a La Rubra Rose” - 2008

www.camarabrasileira.com/pc46.htm - Rio de Janeiro - RJ



ANTOLOGIA DE POEMAS DEDICADOS Edição - 2008

Poesia: “Escrita vazia” - 2008
www.camarabrasileira.com/poemasdedicados2008.htm - Rio de Janeiro - RJ



ANTOLOGIA DE CONTOS FANTÁSTICOS -14° Volume Conto: “O mar está pra peixe, feliz Ano Novo” - 2008

www.camarabrasileira.com/contosfantasticos14.htm - Rio de Janeiro - RJ



ANTOLOGIA POÉTICA, POESIA DA METRÓPOLE

Poesia: "Comparação" - 1991


Litteris Editora - Rio de Janeiro - RJ



DECLARAÇÃO DE AMOR

'Prefácio' , 2010

Câmara Brasileira e Jovens Editores - Rio de Janeiro - RJ



EPISÓDIOS GEOMÉTRICOS (O Livro das Crônicas)

'Posfácio' , 2011

Temas Originais Editora - Coimbra - Portugal



I ENCONTRO DE ESCRITORES - ANDEF
'Palestrante', 2010
Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos

ENTREVISTAS - MENÇÃO QUALIDADE PROSA FEVEREIRO 2009

Site de Poesia

Luso-Poemas - Poemas de amor, cartas e pensamentos

Site de Poesia

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