AMIGOS QUE ME SEGUEM

EU O MUNDO, O MUNDO E EU

4 de junho de 2009

ENSAIO DE BOEMIA


No escuro do meu quarto
tinha um bicho papão
morava dentro do armário
mas eu não tinha medo não
nem a lua, a namorada
pendurada lá no alto
que sua luz acendia.

E toda vez que me via
entrava pela janela
e no meu quarto se escondia
das estrelas com rabo de luz
que riscavam o azul da noite
bem debaixo do meu céu.

Todos na casa dormiam
menos eu e minha amada
uma lua enamorada
debruçados na sacada
esperando os cavaleiros
e também os violeiros
voltando das serenatas
no ritmo do bom tropel
meu ensaio de boemia.

Cambaleando de tonto
caindo bêbado de sono
com o luar me alumiando
quase todas madrugadas.

ENSAIO DE BRINCAR


Paro e olho para o céu
o mesmo do sol e da lua
e todo aquele vai e vem
veio trazendo a lembrança
enquanto a linha desenrola
da minha colorida pandorga,
que é pipa, que é papagaio
que também é uma seta
só que não tem rabiola.

Ta com medo tabaréu...
Minha linha é de papel...

Que bom ver a vida bailando
naquele fundo celeste
num contraste de mil cores
em pedaços de papel seda
amarrados em varetas
frações de pura alegria
do menino citadino
de coração interiorano.

Olhar atento e safado
sisudo ao desacato
bolsos cheios de gude
numa das mãos a fieira
Feita de fio de algodão
uma rodada no ar e...

Zingue... Zumm!...

Bico de prego cravando,
na terra de chão batido
até a poeira é lembrada
na emoção do tempo ido.

Roda pião!
Bambeia pião!

Finda a ilusão do menino
foi morrendo aos pedacinhos
com a lembrança moribunda
só sobreviveu a pandorga.

Olhe ela lá no céu!

Não me reconhece mais
talvez por causa tempo
passou dessas brincadeiras
que a idade já não mais
outorga.

TAPETES DO CÉU


torres de algodão
magníficas
estruturas
de ar e energia
aglomeradas
albas e fatais
tapetes do céu
traiçoeiros
pisados
por corpos desfeitos
almas fracionadas
catapultadas
no vazio
que ora jazem
no abismo do mar
gentes
pulverizadas
dos sonhos
inoxidáveis
desfeitos
no
abrupto acordar
do sono perfeito
o encontrar
eterno
da paz
depois
de um voo
imperfeito
atritado
com uma
cumulus nimbus.

21 de maio de 2009

VOZ DO MEU CORAÇÃO

Se eu te falo de amor,
É porque estou te amando.
Não um amor aventureiro,
Infantil, inconsequente.

Esses são passageiros,
Esquecidos facilmente.

Quando te falo de amor,
É com sentimento despertado,
Com o coração escancarado,
Pra te dizer sem medo.

Amo-te.

Não um, te amo,
Jogado, displicente.
E sim,

Um vou te fazer feliz.

Quando te falo do meu amor,
Não envolvo coisas materiais.
Elas influenciam negativamente,
Passa a ser, amor interesseiro.

O amor não se inventa,
Não se compra a crédito,
Mentira não o alimenta.

O amor nasce, cresce, vive,
E morre no coração.
Mantêm-se ele vivo,
Dando e recebendo amor.

Quando quero te falar de amor,
É porque quero dar,
E receber amor.

Com carinho, tolerância e confiança,
Sacrifícios e promessas verdadeiras.

Quando preciso te falar de amor,
Eu só falo de amor.


in voz, no link: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=83338

ORALGÉSICO (PALIATIVO; VIDE BULA)





Atrás de mim,
ouço vozes
lamentosas, rústicas,
amarguradas.

Tediosas demais até,
no meio de tantas flores,
colibris, amores, cupidos,
e entre os outros odores.

Não mais sei como agradar,
poetando o amor;
sorrindo a dor;
Vou me fechar em concha.

E se entreaberta for,
ainda ouvirei o marulhar,
talvez respire ar puro,
se o poema melhorar.

Quiçá inspirado,
em pedras,
na putrefação da vida,
ou na decadência social.

No amargo,
na tristeza,
no fim de toda pureza,
que a própria vida nos dá.

Assim agrado à sombra,
merece, faço-lhe as honras.
Saciada; eu retorno,
Ao meu próprio poetar.


http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=83539

PASSOS E DESCOMPASSO


num minuto...
refaço no papel os traços
acerto no caminho os passos
no chão negro do asfalto
levando comigo a poesia.

num minuto...
desvencilho-me dos laços
afasto dos meus, teus braços
a morte, eu não satisfaço
em prol da minha alegria.

num minuto...
desfruto entre os olhares
o poder absoluto da graça
rir da minha própria desgraça
ou da minha parca soberania.

num minuto...
penso ser samba, e sou
nem por isso; metido a bamba
nem ser corda ou caçamba
não sou uma letra de canção.

num minuto...
versejo com sutileza
noutro, até com brabeza
mas sem matar a beleza
do poema que se enseja.

num minuto
resoluto,
em defesa da poesia
desesperadamente luto
neste tempo inexorável
fatal, total e absoluto.

chega de versos injustiçados
jogados dentro de fundos falsos
reluto; vejo, falo não me escuto
penso livrá-los do cadafalso.

em apenas...
estes poucos minutos.


http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=79954

OLHAR CONGELADO


A morte espreita-me
por detrás da minha porta,
silenciosa, furtiva.
e tão segura está de entrar,
que sorri.

A morte espreita-me há horas,
e mais cedo
ou mais tarde
vai adentrar e,
arrebatar-me-á
envolvendo-me
com seu negro véu.

Arrastar-me-á,
e através do vórtice macabro
viajarei às profundezas.
Sei, pois não me prometeram céu
Não suplicarei. Pois não sei se há.
Mesmo assim;
não deixarei que entre ainda.
Previno-me.

Tapando as frestas
do tempo com o tempo,
acordando as não mais meninas dos olhos,
agora senis senhoras
que cochilam o tempo todo,
e sem vigília, expõe-me.

A morte espreita-me,
E eu a ela.
Tenho a lua minha amante
que também espreita-me
e afugenta a morte com o luar.

Pela veneziana da janela
vi mais uma noite passar em claro.
Vivi.
Mas o olhar... congelado.


http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=83383

21 de janeiro de 2009

P RÊ M I O _ D A R D O


Recebi este Prémio Dardos da minha muito querida poetisa Helen De Rose. Agradeço a distinção. http://helenderose-borboletas.blogspot.com

12 de janeiro de 2009

INFERNUM



Baldado
às procuras,
te achei
na imensidão,
desamor,
solidão.

Boca seca,
de saliva sangue,
sede insaciada,
é fel,
é fogo no chão.

Ressabio
de abismos,
e outras quedas,
sem vocação.

É imposto
o crucial madeiro,
que pesa.
O arrasto
não é sonho,
não é ilusão.

Carregar
o pecado
sobre
as espáduas,
maldizendo
pelo caminho
pedregoso
que o destino
deu.

Sempre
é calvário
inda que
sem dor,
breu,
e medo.

Percalço
na caminhada,
cair
não é vergonha,
só um castigo...
só mais uma cruz
no sossego.

11 de janeiro de 2009

CHEIRO DE ROÇA

Aos pés das amendoeiras,
um regato,
águas límpidas
cortando atrás do quintal
entre as pedras
e o bambuzal.

Casebre,
de pau a pique,
cobertura de sapê
dentro há,
quem se identifique;
gente pobre,
risonha.

Felicidade igual,
não se vê.

Meio dia na roça,
da tosca chaminé,
fumaça,
vem da lenha do fogão,
pra preparar o comer.

Beirando a tralha;
panelas,
bule e coador dentro,
e um chamuscado
abano de palha.

Na trempe, morna;
o que sobrou do café:
rosca, leite,
pão de milho,
e bolo de aipim.
Sobremesa pro almoço,
fartura pra todo regalo,
tirados da criação
e do roçado plantado.

Na frente,
canteiro de margaridas,
roseiras de rosas rosa,
ervas pro chá
de dormir,
tomado depois
do namoro,
logo após
de a noite vir.

Como na roça
ela vem cedo...
Cedo também
é o acordar
se não chover.

Então... Por favor
- Boa Noite!
me dão licença,
é hora de recolher.

P R Ê M I O D A R D O S

P R Ê M I O     D A R D O S
Agradeço esta distinção significativamente importante. Pelo prêmio em si, incentivador, assim como; pelo grande prazer de eu ter sido indicado a recebê-lo por iniciativa da poetisa Helen De Rose, que vê no meu trabalho, a possibilidade das minhas modestas contribuições crescerem em prol da escrita, pelos contos, prosas e poesias.

EDIÇÕES, PREMIAÇÕES

'ANTOLOGIA' - "TRAGO-TE UM SONHO NAS MÃOS"

Poesia infantil: Plum, Ploc, Trec, Blem... Viva!

Poesia infantil: Fadas meninas

Poesia infantil: O nariz do pirilampo

Temas Originais Editora - Coimbra, Portugal, 2010



ANTOLOGIA DOS 7 PECADOS

Sobre a 'GULA' : Beijo, Goiabada e queijo

ESAG - Edição BlogToh - Barcelos - Portugal, 2010




ANTOLOGIA DE POETAS BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS - 49° Volume

Poesia: Faço poesia porque eu não posso dizer que te amo

http://www.camarabrasileira.com.pc49.htm/ - Rio de Janeiro - RJ



ANTOLOGIA DE POETAS BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS – 46° Volume

Poesia: “Tango a La Rubra Rose” - 2008

www.camarabrasileira.com/pc46.htm - Rio de Janeiro - RJ



ANTOLOGIA DE POEMAS DEDICADOS Edição - 2008

Poesia: “Escrita vazia” - 2008
www.camarabrasileira.com/poemasdedicados2008.htm - Rio de Janeiro - RJ



ANTOLOGIA DE CONTOS FANTÁSTICOS -14° Volume Conto: “O mar está pra peixe, feliz Ano Novo” - 2008

www.camarabrasileira.com/contosfantasticos14.htm - Rio de Janeiro - RJ



ANTOLOGIA POÉTICA, POESIA DA METRÓPOLE

Poesia: "Comparação" - 1991


Litteris Editora - Rio de Janeiro - RJ



DECLARAÇÃO DE AMOR

'Prefácio' , 2010

Câmara Brasileira e Jovens Editores - Rio de Janeiro - RJ



EPISÓDIOS GEOMÉTRICOS (O Livro das Crônicas)

'Posfácio' , 2011

Temas Originais Editora - Coimbra - Portugal



I ENCONTRO DE ESCRITORES - ANDEF
'Palestrante', 2010
Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos

ENTREVISTAS - MENÇÃO QUALIDADE PROSA FEVEREIRO 2009

Site de Poesia

Luso-Poemas - Poemas de amor, cartas e pensamentos

Site de Poesia

Buffering...